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“Sonhos de Uma Noite no Sertão”, de Viggo Magalhães, acompanha a criação de uma obra híbrida entre teatro, audiovisual e documentário, produzida por estudantes da Unifor e da UFC
O longa-metragem “Sonhos de Uma Noite no Sertão” propõe uma experiência inédita ao unir cinema, artes cênicas e registro documental em uma única produção. Desenvolvido pelo cineasta e artista Viggo Magalhães como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Cinema e Audiovisual da Universidade de Fortaleza (Unifor), o projeto pretende se tornar o primeiro longa-metragem realizado nesse formato pela instituição.
Com colaboração de estudantes da Universidade Federal do Ceará (UFC), a obra acompanha todas as etapas da criação de uma peça teatral concebida para o audiovisual, revelando ao público desde as primeiras reuniões de roteiro até os ensaios e a gravação da montagem final.
Após sua conclusão, o filme deverá circular em espaços culturais, sessões públicas e plataformas digitais, ampliando o acesso à produção e fortalecendo sua proposta de difusão cultural.
Sertão cearense inspira narrativa autoral
Embora o título faça referência à clássica comédia “Sonho de uma Noite de Verão”, de William Shakespeare, o diretor ressalta que a proposta não é adaptar a obra do dramaturgo inglês.
“O projeto nasce menos de uma vontade de adaptar um clássico e mais dessa percepção de que o sertão cearense é um campo fértil para a fantasia. O que me aproximou de Shakespeare não foi só essa ideia de que ele é universal, mas um reconhecimento meio imediato de que essas histórias já existem por aqui. Quando você olha pros causos do cordel, pras confusões amorosas, pros enganos, pro exagero e até pra presença do fantástico, tudo isso já faz parte do nosso imaginário. Tem um caminho que o Ariano Suassuna já apontava, de aproximar o popular e o clássico sem hierarquia, entendendo que essas estruturas dialogam. Isso atravessa diretamente no projeto”, explica Viggo Magalhães.
Segundo o cineasta, o humor típico do Ceará também ocupa papel central na construção da narrativa.
“O humor cearense entra muito forte, principalmente pela palhaçaria, que tem uma inteligência muito própria. É um humor físico, direto, às vezes debochado, que conversa com a base farsesca da comédia de Shakespeare. Não é só sobre fazer rir, é sobre como o riso revela as relações, os desejos e as contradições dos personagens”, destaca.
Oficinas fortaleceram processo criativo
Além da produção do longa, o projeto promoveu oficinas formativas voltadas ao aperfeiçoamento de atores, abordando técnicas de corpo, voz e presença cênica.
Entre as atividades realizadas esteve a oficina de palhaçaria ministrada por Neto Holanda, que trabalhou aspectos como improvisação, escuta, erro e jogo cênico como ferramentas de criação artística.
O projeto tem como público principal jovens e adultos interessados em cultura, audiovisual e processos criativos, especialmente em ambientes universitários, espaços culturais e plataformas digitais.
A equipe reúne 17 atores, além de profissionais responsáveis pela direção, produção e criação artística, que também compartilham bastidores, ensaios e etapas do desenvolvimento da obra nas redes sociais.
Sobre Viggo Magalhães
Viggo Magalhães é artista, fotógrafo, designer autodidata e estudante do último semestre do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade de Fortaleza (Unifor).
Formado pelo Curso de Princípios Básicos de Teatro (CPBT), em 2023, sob orientação da professora Neidinha Castelo Branco, é fundador da produtora independente Muvimuvi, dedicada a experimentações em linguagens híbridas envolvendo música, teatro e cinema.
Seus trabalhos já foram exibidos em eventos como o Festival Queima, em Curitiba, e no Cine Ceará, durante a Mostra Água e Resistência.
Na fotografia, teve obras publicadas pela Vogue Itália, explorando uma estética marcada pelo contraste entre luz e sombra, característica que também influencia seus projetos audiovisuais.
Em 2024, foi contemplado com o prêmio Fortaleza-Ficção, voltado ao desenvolvimento de roteiros autorais de curta-metragem. Também participou da Mostra Movemoda, no Dragão Fashion Brasil, e atuou como diretor de mídias da agência Márcia Travessoni.
fonte: portal terra da luz
